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Patrícia Lobo

Impasse

18.01.15 | Patrícia Lobo
Se pensar no último momento em que fui realmente feliz, consigo dizê-lo em menos de um segundo. Mas saber que esse momento já foi há muito tempo atrás, deixa-me preocupada. Estou habituada a ser uma pessoa pouco feliz; são raros os momentos de felicidade, pois nunca nada foi suficiente para que a minha alma permanecesse sorridente. Houve sempre um dia menos bom, um golpe profundo, uma cicatriz que me tornou vulnerável.
Se pensar no dia de hoje apenas sei que a chuva ainda cai lá fora e que o dia foi demasiado deprimente por ter estado a estudar para os próximos exames.
E o meu coração? Onde anda aquele sofrimento de um amor não correspondido ou a ilusão de uma palavra mais ousada? Não existe vontade. Não existe dedicação. Nem sequer sei onde encontrar a necessidade de querer algo que nunca terei. Talvez tenha desistido.
E, por fim, cheguei a uma brilhante conclusão. Tropecei num insuportável impasse. Já não sei escrever. A minha mente já não sabe traduzir em palavras o que estou a sentir. E é esta dedução que me faz questionar: será que ainda sinto?

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